HAMMAM - ORIGEM, HISTÓRIA, EVOLUÇÃO

HAMMAM

Origem, história, evolução

“Hammam” é o étimo da palavra de origem árabe “hammãm” que quer dizer banhos ou fontes.

O Hammam combina as funcionalidades e estruturas dos seus predecessores - as termas romanas e os banhos bizantinos - com a tradição turca dos banhos de vapor.

Os banhos a vapor aliás, também conhecidos por banhos turcos, eram conhecidos e apreciados na Grécia e Roma antigas.

Porém, é necessário esperar pelo sec. VII, altura em que o Profeta Maomé, numa linha corânica de purificação do corpo estimula e crê-se, também como benéfico à saúde a estimulando os seus seguidores ao uso do hammam. Associado às abulações obrigatórias determinadas no Corão os “hammams” surgem não raro junto dos locais de oração (Mesquitas).

Ora é sob a influência determinante do profeta que os hammams começam a florescer um pouco por todo o mundo islâmico.

Na sequência da conquista de Alexandria (642 d.c.) os árabes constroem as suas próprias versões dos banhos greco-romanos que encontraram. Não esqueçamos que à medida que a decadência do Império Romano se iniciou e com a consequente retirada das terras que ocuparam, foram deixando para trás as estruturas de banhos que tinham construído e de que muito desfrutaram.

O mundo islâmico de então, para além dos territórios do médio – oriente e da península arábica, da Pérsia (hoje Irão), da Mesopotâmia (hoje Iraque) se espalhou muito rapidamente por todo o norte de África, e mesmo pelo Sudoeste da Europa onde formou o seu reino Al Andalus (Sul de Espanha e Portugal) de onde saíram somente, em definitivo em 1491, expulsos pelos Reis Católicos. Porém, essa sua presença de sete séculos em grande parte da península ibérica, deixou-nos um vasto legado cultural, de onde se destacam obras arquitectónicas impares como o Palácio de Alhambra em Granada (antigo palácio do sultão)e a Mesquita de Córdoba (hoje Catedral de Córdoba).

Da cultura árabe, e relacionado com os seus Hammam, recebemos o nome para o mais antigo bairro de Lisboa: Alfama. De facto, por aí terem encontrado vários banhos e fontes, os muçulmanos designaram-no como “al- hamma” .

No início os hammams eram reservados exclusivamente aos homens. Mais tarde, inicialmente por razões de saúde ou mesmo para recuperarem de partos, e depois por aquilo que acabou por ser um direito adquirido as mulheres socialmente bastante limitadas pelos usos da época rapidamente transformaram estes locais numa oportunidade de socialização.

Evidentemente que a coexistência de homens e mulheres no Hammam não era possível. Por isso, houve, no início que determinar horários distintos para homens e mulheres e mais tarde, construíram-se até hammams masculinos e hammams femininos.

Os hammams, além de cumprirem a sua função primária de proporcionar higiene e saúde aos seus frequentadores, transformavam-se igualmente em locais de convívio social.

Aliás, esta sociabilização do hammam, particularmente importante no período Otomano, proporcionava aos homens oportunidades de negócio, tramas políticas, serviços de barbeiro, intrigas, etc... Por seu lado, as mulheres encontravam aqui o lugar ideal para descobrirem futuras noras, apreciar música, danças e até guloseimas, e outros entretenimentos.

O Hammam clássico inicia-se com um período de relaxamento e sudação na Sala Quente aquecida através de um fluxo constante de ar quente e seco. Depois passa-se para uma sala ainda mais quente antes de entrar na sala de vapor e massagem. Aqui, o “banhista” deita-se numa mesa de mármore onde é vigorosamente ensaboado e esfoliada a sua pele, normalmente com a ajuda de uma luva feita de crina de cavalo, e massajado todo o seu corpo. Água quente ou fria, conforme o gosto, é então aplicada para retirar todos os resíduos retirando-se então o “banhista” para uma zona de arrefecimento onde pode relaxar dos efeitos da massagem e permitir que os benefícios do tratamento produzam os seus efeitos. Normalmente é-lhe oferecido um chá de menta, e nos hammams mais tradicionais e luxuosos pode até dispor de uma sala privada para dormir uma pequena sesta.

Na Europa da era Cristã, o uso dos banhos públicos e das termas – grande legado romano- é fortemente censurado pela Igreja que neles via locais de ócio, luxúria, preguiça e vaidade. Daqui até se acreditar que o banho, quando tomado em excesso é prejudicial à saúde foi um pequeno passo. Na idade média as pessoas tomavam apenas 2 a 3 banhos por ano. E o primeiro do ano dava-se normalmente com o aproximar das temperaturas mais amenas, ou seja, Maio ou Junho. E é justamente deste hábito que se estabelece Maio como o mês das noivas. De facto, ansiosas por consumarem os seus casamentos, as noivas esperavam que chegasse o mês de Maio para poderem tomar o seu banho e se apresentarem na cerimónia com um “odor” mais agradável. Diz-se até que o uso do “bouquet” da noiva não era senão mais uma “expediente” para disfarçar os maus odores. Com a peste negra (ou bubônica), verdadeira pandemia que dizimou, estima-se, 75 milhões de pessoas, cerca de 1/3 da população, o uso da água diminui ainda mais tal era o pânico das populações que em tudo viam uma ameaça, até na água.

Os banhos, e particularmente o hammam só voltam à Europa na época Vitoriana (1837-1901), depois do iluminismo onde a razão e a ciência pontificam sobre as crenças e mitos. E tão depressa chega quão depressa se desenvolve. Rápidamente florescem, nesta altura, pelo Reino Unido, mais de 600 hammams.

Hoje em dia, e tirando partido de produtos naturais e de agricultura biológica da zona do Magreb, como o sabão preto, o óleo de argan, o rhassoul, etc.. existem já no nosso país diversos espaços que conseguem recriar as virtudes do hammam num ambiente e conceito de estética mais aproximado das nossas necessidades e principalmente da velocidade com que vivemos.

O hammam ajuda à desobstrução dos poros e favorece a hidratação da pele. A transpiração a que se é submetido elimina as impurezas do corpo e é muito recomendado a pessoas que tem retenção de líquidos.

As pessoas com tensão alta e doenças cardíacas ou do fora cardio-vascular devem aconselhar-se com o seu médico sobre a sua frequência de hammams ou simplesmente de banho turco.

Jorge Peixoto

DERMOESTÉTICA